Você sabia que de cada dez animais capturados por traficantes, nove morrem no caminho até feiras ou beiras de estradas, pois estão acondicionados em fundos falsos, em recintos impróprios e abafados? A Equipe do Übersite conversou sobre esse e outros importantes assuntos com o presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Roberto Messias Franco, que reforça a importância da educação e fiscalização para a preservação da natureza. Confira:
Um levantamento feito pelo Ibama/DF, por meio do Núcleo de Educação Ambiental (NEA), constatou que 40% das pessoas que viajam de férias retornam a sua cidade de origem com um exemplar de animal silvestre ou souvenir – brincos, quadros, colares. Muitos locais turísticos vendem esses souvenires e as pessoas não sabem que estão praticando um crime ambiental ao comprá-los. Qualquer souvenir produzido a partir de animais, com penas, por exemplo, é considerado de venda ilegal e a sua compra, portanto, um crime ambiental?
Em geral os souvenires produzidos a partir de animais são ilegais sim, a não ser em raros casos em que os produtos sejam oriundos de criadores legalizados pelo Ibama. A maioria das vezes é ilegal, produzidos de qualquer jeito, maltratando os animais. Quem ama os animais não compra esses produtos. Aprecie esses seres, mas não faça nada com eles.
Ainda em relação a esse levantamento, qual o impacto que a produção desses souvenires gera ao meio ambiente?
A grande preocupação que nós temos é em relação à retirada desses animais da natureza e a posterior devolução deles ao habitat natural. A retirada dos animais do meio ambiente faz com que haja um desequilíbrio na cadeia e é bem difícil reverter essa situação, pois não sabemos o local exato para devolvê-los e reintroduzi-los.
A unidade do Ibama responsável por esse trabalho é o CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres), presente em todos os Estados brasileiros. O Centro é responsável pela recepção de animais silvestres apreendidos em fiscalizações ou entregues voluntariamente pela população. Quando chegam ao CETAS, os animais são recuperados e treinados para voltar à natureza.
É comum as pessoas levarem animais silvestres para criar em casa? O que essa atitude pode ocasionar à pessoa, ao animal e ao meio ambiente?
É muito comum. Essa é uma atitude que estamos tentando desestimular no Brasil, pois ao levar animais silvestres, acostumados com o seu habitat natural, para casas ou apartamentos, eles acabam sendo criados em condições inapropriadas. Muitas pessoas pegam animais nas estradas, levam para casa e depois se arrependem, os jogando na rua ou levando para o Ibama. E, conforme dito anteriormente, isso dificulta o trabalho do CETAS na hora de devolvê-los ao habitat natural.
O que são acidentes ambientais e crimes ambientais e o que fazer em casos de identificação desses casos?
Os acidentes são eventos que acontecem por acaso, como uma barragem que rompe devido à chuva imprevista, por exemplo. O crime é intencional, como a retirada dos animais da natureza. Essa atitude pode gerar multas de R$ 500 por animal e, se este estiver em extinção, a multa sobe para R$ 5 mil por unidade. A melhor atitude a ser tomada é tentar conscientizar essas pessoas a não cometerem crimes ambientais. Trabalhamos fortemente com a Educação Ambiental para levar conhecimento às pessoas. Caso alguém identifique alguma pessoa cometendo essas infrações, é preciso comunicar ao Ibama para serem tomadas as devidas providências. O telefone da Linha Verde do Ibama é 0800-618080. As denúncias que chegam à Linha Verde são apuradas.
Calcula-se que o tráfico de animais silvestres retire, anualmente, cerca de 12 milhões de animais de nossas matas. Outras estatísticas estimam que o número real esteja em torno de 38 milhões (Fonte: Site Ibama). Por que as pessoas “roubam” os animais de seu habitat natural e o que a sociedade pode fazer, juntamente com o governo, para impedir isso?
Roubam simplesmente porque querem, acham os animais bonitos e esse sentimento de posse os faz ter uma visão incorreta e incompleta da natureza. Essas pessoas não se conscientizam de que existem várias espécies em um habitat e isso faz parte de um equilíbrio que levou milhões de anos para se estabelecer (um animal depende do outro para sobreviver). Cada um tem o seu lugar, chamado nicho ecológico, e ao tirá-lo dali desequilibra toda a cadeia. Por meio da educação e fiscalização, o Ibama tenta fazer com que a sociedade não deprede a natureza.
Qual a importância de proteger os animais em extinção e como fazê-lo?
Se uma espécie se extingue, nunca mais conseguimos recuperar o seu DNA. Mais de 40% das espécies nunca tiveram suas características descritas. Informações preciosas podem ser desconhecidas e a extinção pode fazer com que animais e plantas de grande beleza ou de utilidade para a saúde humana se percam para sempre.
Temos exemplos fantásticos de aproveitamento dos recursos naturais, como o uso do veneno da jararaca na fabricação de remédio para o coração. Olha o tesouro que pode ser perdido.
É preciso reforçar a educação ambiental entre a sociedade para que isso não aconteça.
O que o senhor acha do uso da Internet como ferramenta de divulgação e conscientização de assuntos socioambientais?
Um instrumento absolutamente fundamental, que pode mudar a forma de conscientização para os problemas da
natureza. É uma maneira de difundir a informação para um maior número de pessoas com menor custo possível. Todos sabem que assuntos socioambientais são informações que a maioria das pessoas não paga para ter, o que torna mais difícil vender a idéia de preservar a diversidade biológica. Mas é fato que a humanidade vai sofrer as conseqüências no futuro pelo descaso com essas informações. Com a Internet acreditamos que a recuperação pelo interesse a assuntos socioambientais será coletiva e isso será um grande avanço para o futuro da humanidade.
Mais informações
- São recebidos em torno de 55.000 animais/ano, sendo mais concentrado nos CETAS das regiões Sudeste e Nordeste;
- 45% dos animais recebidos no CETAS são reabilitados e devolvidos à natureza;
- Os animais recebidos no CETAS não são vendidos, sendo que quando não podem retornar à natureza são entregues a criadouros e zoológicos registrados no Ibama, não sendo permitida a sua comercialização. Somente podem ser vendidos filhotes comprovadamente nascidos em cativeiro provenientes de criadouros comerciais autorizados pelo Ibama.
Há 3 comentários para ““É preciso reforçar a educação ambiental entre a sociedade””
Entendemos que sendo a Gisele uma figura pública e com seu envolvimento na defesa das causas ambientais (parabéns pela gravação contra as alterações no Código Florestal) poderia igualmente motivar mais pessoas a preservarem nossa arborização urbana.
Aqui em Porto Alegre passamos “maus bocados” para preservar a Rua Gonçalo de Carvalho, também chamada no exterior como a “Rua Mais Bonita do Mundo” por causa de suas árvores e pela luta por sua preservação.
As gerações futuras agradecerão!
(Cesar Cardia)
Olá, tudo bem?
Parabéns pelo blog!
Somos do Canal Futura, identificamos sua ótima iniciativa on-line e pensamos em compartilhar com você nossa nova série de animação que fala sobre assuntos que são de nosso interesse, dos seus leitores e deveriam ser de toda a sociedade: consumo consciente e sustentabilidade. A série de 10 episódios é “Consciente Coletivo” e estreou dia 8 de setembro no Canal Futura. Os 5 primeiros programas estão disponíveis no nosso site (www.futura.org.br/conscientecoletivo). Também preparamos alguns conteúdos extras como papéis de parede pro computador, avatares, assinaturas de email e twibbon para quem quiser mergulhar na campanha. Confira lá e fique à vontade para divulgar. A ideia é formar um grande “consciente coletivo” pelo meio ambiente na internet!
Grande abraço!
Leonardo Machado, Coordenador de Novas Mídias do Canal Futura
Amigo,
Venho pedir solidariedade para a nossa luta de defender a Mata do Isidoro em Belo Horizonte. A prefeitura esta realizando um projeto urbanístico na maior floresta urbana de Belo Horizonte, acabando com 6 milhões metros de mata.
Para saber mais sobre a questão acesse
http://www.saveoisidoro.wordpress.com