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“É preciso reforçar a educação ambiental entre a sociedade”

03 de junho de 2009 por Interview

Categoria(s): Entrevistas, Planeta Verde

Você sabia que de cada dez animais capturados por traficantes, nove morrem no caminho até feiras ou beiras de estradas, pois estão acondicionados em fundos falsos, em recintos impróprios e abafados? A Equipe do Übersite conversou sobre esse e outros importantes assuntos com o presidente do Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), Roberto Messias Franco, que reforça a importância da educação e fiscalização para a preservação da natureza. Confira:

Um levantamento feito pelo Ibama/DF, por meio do Núcleo de Educação Ambiental (NEA), constatou que 40% das pessoas que viajam de férias retornam a sua cidade de origem com um exemplar de animal silvestre ou souvenir – brincos, quadros, colares. Muitos locais turísticos vendem esses souvenires e as pessoas não sabem que estão praticando um crime ambiental ao comprá-los. Qualquer souvenir produzido a partir de animais, com penas, por exemplo, é considerado de venda ilegal e a sua compra, portanto, um crime ambiental?
Em geral os souvenires produzidos a partir de animais são ilegais sim, a não ser em raros casos em que os produtos sejam oriundos de criadores legalizados pelo Ibama. A maioria das vezes é ilegal, produzidos de qualquer jeito, maltratando os animais. Quem ama os animais não compra esses produtos. Aprecie esses seres, mas não faça nada com eles.

Ainda em relação a esse levantamento, qual o impacto que a produção desses souvenires gera ao meio ambiente?
A grande preocupação que nós temos é em relação à retirada desses animais da natureza e a posterior devolução deles ao habitat natural. A retirada dos animais do meio ambiente faz com que haja um desequilíbrio na cadeia e é bem difícil reverter essa situação, pois não sabemos o local exato para devolvê-los e reintroduzi-los.
A unidade do Ibama responsável por esse trabalho é o CETAS (Centro de Triagem de Animais Silvestres), presente em todos os Estados brasileiros. O Centro é responsável pela recepção de animais silvestres apreendidos em fiscalizações ou entregues voluntariamente pela população. Quando chegam ao CETAS, os animais são recuperados e treinados para voltar à natureza.

É comum as pessoas levarem animais silvestres para criar em casa? O que essa atitude pode ocasionar à pessoa, ao animal e ao meio ambiente?
É muito comum. Essa é uma atitude que estamos tentando desestimular no Brasil, pois ao levar animais silvestres, acostumados com o seu habitat natural, para casas ou apartamentos, eles acabam sendo criados em condições inapropriadas. Muitas pessoas pegam animais nas estradas, levam para casa e depois se arrependem, os jogando na rua ou levando para o Ibama. E, conforme dito anteriormente, isso dificulta o trabalho do CETAS na hora de devolvê-los ao habitat natural.

O que são acidentes ambientais e crimes ambientais e o que fazer em casos de identificação desses casos?
Os acidentes são eventos que acontecem por acaso, como uma barragem que rompe devido à chuva imprevista, por exemplo. O crime é intencional, como a retirada dos animais da natureza. Essa atitude pode gerar multas de R$ 500 por animal e, se este estiver em extinção, a multa sobe para R$ 5 mil por unidade. A melhor atitude a ser tomada é tentar conscientizar essas pessoas a não cometerem crimes ambientais. Trabalhamos fortemente com a Educação Ambiental para levar conhecimento às pessoas. Caso alguém identifique alguma pessoa cometendo essas infrações, é preciso comunicar ao Ibama para serem tomadas as devidas providências. O telefone da Linha Verde do Ibama é 0800-618080. As denúncias que chegam à Linha Verde são apuradas.

Calcula-se que o tráfico de animais silvestres retire, anualmente, cerca de 12 milhões de animais de nossas matas. Outras estatísticas estimam que o número real esteja em torno de 38 milhões (Fonte: Site Ibama). Por que as pessoas “roubam” os animais de seu habitat natural e o que a sociedade pode fazer, juntamente com o governo, para impedir isso?
Roubam simplesmente porque querem, acham os animais bonitos e esse sentimento de posse os faz ter uma visão incorreta e incompleta da natureza. Essas pessoas não se conscientizam de que existem várias espécies em um habitat e isso faz parte de um equilíbrio que levou milhões de anos para se estabelecer (um animal depende do outro para sobreviver). Cada um tem o seu lugar, chamado nicho ecológico, e ao tirá-lo dali desequilibra toda a cadeia. Por meio da educação e fiscalização, o Ibama tenta fazer com que a sociedade não deprede a natureza.

Qual a importância de proteger os animais em extinção e como fazê-lo?
Se uma espécie se extingue, nunca mais conseguimos recuperar o seu DNA. Mais de 40% das espécies nunca tiveram suas características descritas. Informações preciosas podem ser desconhecidas e a extinção pode fazer com que animais e plantas de grande beleza ou de utilidade para a saúde humana se percam para sempre.
Temos exemplos fantásticos de aproveitamento dos recursos naturais, como o uso do veneno da jararaca na fabricação de remédio para o coração. Olha o tesouro que pode ser perdido.
É preciso reforçar a educação ambiental entre a sociedade para que isso não aconteça.

O que o senhor acha do uso da Internet como ferramenta de divulgação e conscientização de assuntos socioambientais?
Um instrumento absolutamente fundamental, que pode mudar a forma de conscientização para os problemas danatureza. É uma maneira de difundir a informação para um maior número de pessoas com menor custo possível. Todos sabem que assuntos socioambientais são informações que a maioria das pessoas não paga para ter, o que torna mais difícil vender a idéia de preservar a diversidade biológica. Mas é fato que a humanidade vai sofrer as conseqüências no futuro pelo descaso com essas informações. Com a Internet acreditamos que a recuperação pelo interesse a assuntos socioambientais será coletiva e isso será um grande avanço para o futuro da humanidade.

Mais informações
- São recebidos em torno de 55.000 animais/ano, sendo mais concentrado nos CETAS das regiões Sudeste e Nordeste;
- 45% dos animais recebidos no CETAS são reabilitados e devolvidos à natureza;
- Os animais recebidos no CETAS não são vendidos, sendo que quando não podem retornar à natureza são entregues a criadouros e zoológicos registrados no Ibama, não sendo permitida a sua comercialização. Somente podem ser vendidos filhotes comprovadamente nascidos em cativeiro provenientes de criadouros comerciais autorizados pelo Ibama.

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Há 3 comentários para ““É preciso reforçar a educação ambiental entre a sociedade””

  1. Entendemos que sendo a Gisele uma figura pública e com seu envolvimento na defesa das causas ambientais (parabéns pela gravação contra as alterações no Código Florestal) poderia igualmente motivar mais pessoas a preservarem nossa arborização urbana.
    Aqui em Porto Alegre passamos “maus bocados” para preservar a Rua Gonçalo de Carvalho, também chamada no exterior como a “Rua Mais Bonita do Mundo” por causa de suas árvores e pela luta por sua preservação.

    As gerações futuras agradecerão!
    (Cesar Cardia)

  2. Olá, tudo bem?
    Parabéns pelo blog!
    Somos do Canal Futura, identificamos sua ótima iniciativa on-line e pensamos em compartilhar com você nossa nova série de animação que fala sobre assuntos que são de nosso interesse, dos seus leitores e deveriam ser de toda a sociedade: consumo consciente e sustentabilidade. A série de 10 episódios é “Consciente Coletivo” e estreou dia 8 de setembro no Canal Futura. Os 5 primeiros programas estão disponíveis no nosso site (www.futura.org.br/conscientecoletivo). Também preparamos alguns conteúdos extras como papéis de parede pro computador, avatares, assinaturas de email e twibbon para quem quiser mergulhar na campanha. Confira lá e fique à vontade para divulgar. A ideia é formar um grande “consciente coletivo” pelo meio ambiente na internet!
    Grande abraço!
    Leonardo Machado, Coordenador de Novas Mídias do Canal Futura

  3. Wellington SAntos disse:

    Amigo,
    Venho pedir solidariedade para a nossa luta de defender a Mata do Isidoro em Belo Horizonte. A prefeitura esta realizando um projeto urbanístico na maior floresta urbana de Belo Horizonte, acabando com 6 milhões metros de mata.
    Para saber mais sobre a questão acesse
    http://www.saveoisidoro.wordpress.com

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