O desenvolvimento das civilizações humanas está intimamente associado a nossa capacidade de adaptação aos ambientes, entre outras formas, através de nossas duas outras peles, as vestimentas e as edificações. Nossos ancestrais desenvolveram tecnologias de construção de habitações utilizando recursos que o próprio ambiente fornecia (habitação vernacular), e adaptando-as ao clima local (bioclimáticas).
No Brasil, atualmente, assistimos um crescimento enorme na construção de edificações. No entanto, em tempos de abundância tecnológica, desenvolvimento e ostentação econômica e hegemonia da vida urbana sobre a rural, menospreza-se a questão ambiental na arquitetura, criando um padrão globalizado de edificações nas cidades, com grandes fachadas envidraçadas, verdadeiras habitações-estufas pelo excesso de insolação, com baixo conforto térmico, alto consumo de energia e recursos naturais.
As casas modernas estão literalmente destruindo o planeta, as edificações consomem no mundo, cerca de 40% da energia, 16% da água potável e 25% das florestas de madeira (UNCHS, 1993) e emitem metade dos gases que vem modificando o clima (Der Petrocian, 2001).
Normalmente não pensamos no impacto que nossas habitações têm no ambiente, nem no grande impacto que o ambiente terá sobre nossas habitações com as mudanças climáticas. Porém, o quanto antes valorizarmos na arquitetura, o desempenho, sobre a aparência, melhor preparados estaremos para lançarmos as fundações das edificações da era pós-combustível fóssil. Uma arquitetura focada no conforto humano, mas sem perder de vista que é parte do grande ecossistema planetário, integrando-se a totalidade do meio ambiente.
A forma como uma pessoa mora e usa energia e recursos naturais em sua moradia, poderá lhe garantir conforto e segurança no futuro, além de ser uma enorme contribuição individual para combater as mudanças climáticas e suas severas consequências.
Os esforços mundiais para mitigar estas consequências existem, mas caminham a passos vagarosos demais para as necessidades do planeta. Enquanto isso, entre outras coisas, precisamos adaptar nossas edificações às vontades de um tempo cada vez mais caprichoso, surpreendente e devastador. Caso contrário, talvez nem valha à pena sobreviver durante as próximas décadas do século XXI.
Há 2 comentários para “Habitações-estufas”
O Brasil está muito atrasado em relação a “casas verdes”, muita energia desperdiçada…
Realmente é preciso maior conscientização sobre o fato.
Ecologia deve ser abordada nas escolas com mais destaque para as novas tecnologias e oportunidades que isso gera em nosso mundo.
Parabéns pelo blog. Sucesso.
Equipe Só Som instrumentos musicais.