Tem sido marcante nas ultimas declarações (explícitas ou implícitas) de políticos, que apóiam o atual texto para a mudança do código florestal, a afirmação da existência de consenso entre os diversos (e até conflitantes) interesses que envolvem a questão.
Porém, consenso denota a existência de um acordo entre os diversos grupos envolvidos, em relação a princípios, valores, bem como, quanto às ações.
Portanto, o suposto consenso citado por certos políticos se expressaria, na existência de decisões partilhadas pelos membros da sociedade envolvidas nesta questão, incluindo aí, o movimento ambientalista. Seria, então, verdade o tal consenso?
Para analisarmos a afirmação desses políticos torna-se necessário ressaltar que a forma como eles vêm percebendo esta questão, positiva para o Brasil, apesar da ampla documentação científica dizendo o contrário, evidencia que seus posicionamentos são mediados por interesses econômicos, políticos, posição ideológica, e ocorre num contexto altamente influenciado pelo agronegócio.
Assim, ao contrário do que muitos pensam, as decisões de certos políticos não são neutras. No momento atual, ao assumirem a postura do suposto consenso diante do atual texto da reforma do código florestal, estão de fato definindo quem ficará, na sociedade e no país, com os custos e quem ficará com os benefícios.
Há ainda a se considerar que não são claras para as comunidades afetadas as consequências desastrosas advindas da proposta em questão e nem os interesses escusos subjacentes a elas.
Outro motivo provável, que não deixa certos atores sociais verem os enormes problemas que serão gerados pela proposta atual de reforma do código, é o fato de que o meio pelo qual se tenta resolver a situação é a própria fonte dos problemas, ou seja, a forma de pensar e agir.
Os problemas ambientais são sistêmicos, interligados, interdependentes, complexos e não-lineares, enquanto o pensamento daqueles que apoiam a proposta atual, é baseado em um raciocínio simples e previsível. Devido à grande complexidade envolvida, faz-se necessário aprendermos a linguagem da natureza, caso pretendamos construir comunidades sustentáveis. E esta linguagem, infelizmente, muitos políticos são incapazes de entender.
É fato que consenso total é um tanto improvável. Contudo é totalmente impensável que possa existir algum grau significativo de consenso entre os interesses econômicos e políticos do atual texto para a mudança do código florestal e os interesses da preservação ambiental e da melhora na qualidade de vida das comunidades rurais e urbanas.
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Há 1 comentário para “Reforma do Código Florestal: consenso ou imposição?”
Em se tratando de meio ambiente não há consenso em lugar nenhum. Na COP-17 alguns países já cairam fora da responsabilidade de diminuir a emissão de gases poluentes. Todos querem tirar vantagem da situação e nestas discussões quem sempre ganha é quem tem mais dinheiro.
Parabéns pelo texto!