Eventos internacionais como a Copa do Mundo, as Olimpíadas, Congressos e Fóruns internacionais nos dão a incrível oportunidade de ampliar nossa visão de mundo, ou melhor, de ver o mundo através dos olhos do outro.
Um exemplo disso foi o Fórum de Adolescentes sobre Mudanças Climáticas, em Copenhague, do qual tive a oportunidade de participar. Enquanto muitos jovens europeus estavam preocupados em discutir as consequências ambientais das inúmeras garrafas plásticas jogadas fora por dia, muitos jovens africanos desconheciam esse privilégio e preocupavam-se em discutir sobre a preservação da pouca água que tinham e como melhorar o acesso a ela. Assim também acontecia ao se pensar a questão da educação. Enquanto os norte-americanos preocupavam-se em realizar gincanas ecológicas nas escolas para a conscientização dos colegas, os indianos preocupavam-se, primeiro, em poder frequentar uma escola.
Também no campo cultural as aprendizagens são inúmeras, seja na forma de se vestir, de se portar, de comer, o cuidado com a terra, a contemplação da natureza, ou até mesmo a forma de se relacionar com o outro e com o meio ambiente.
O desafio de propor soluções globais para uma questão que é vivenciada de forma diferente em cada região é imenso, mas o fato de todos estarem ali voltados para um mesmo objetivo e dispostos a dialogarem e a compartilharem experiências são motivos suficientes para uni-los. Assim, todos entendem que essas diferenças são positivas na medida em que estamos abertos a compreendê-las e até mesmo dispostos a incorporar novos valores que possam vir a ser mais interessantes, mais solidários, mais sensíveis.
A Copa é outro exemplo de vivência dessa diversidade cultural, que pode nos levar a muitas reflexões oportunas. Podemos utilizar um momento como este, em que todos estão ligados nos jogos, para pensar como é possível estabelecer uma relação pacífica com aquele nosso concorrente, que muitas vezes parece ser uma pedrinha no sapato. Mas essa pedrinha também pode nos mostrar muitas coisas positivas. Ela nos possibilita exercitar a tolerância e aprender a reconhecer as vitórias do outro, ou a ser solidário com suas derrotas.
A questão é entender que muitas respostas que procuramos podem ser encontradas ao longo do caminho, se estivermos atentos. O problema é que muitas vezes ficamos cegos pelo objetivo final, pelo gol, pela reta de chegada e esquecemos que a vida é para ser vivida a cada instante, todos os momentos são igualmente importantes e o resultado final é também consequência da forma como vivenciamos cada minuto.
Espero que possamos dizer o mesmo da Copa de 2014, no Brasil, mostrando que estamos abertos e dispostos a receber essa diversidade de cores, línguas e costumes e que será uma oportunidade de trazer divisas sociais, econômicas e culturais para o país, onde as brigas de estádio e violência entre torcidas serão coisas do passado. Que venha 2014!