Foi lançada, no início desse ano, a campanha “NoH8” (Sem ódio), pelos fotógrafos Adam Bouska e Jeff Parshley, no estado da Califórnia/EUA. A iniciativa tem como objetivo fazer um protesto silencioso à “Proposição 8”, referendo que buscou saber a opinião dos californianos sobre o casamento de pessoas do mesmo sexo. 52% votaram contra o casamento e agora a polêmica irá parar nas mãos do Supremo Tribunal americano.
Atores, atrizes, músicos e artistas em geral, bem como cidadãos comuns, posaram para as fotos da campanha, em que aparecem com uma fita adesiva tapando a boca como forma de protesto. Até mesmo o presidente Barack Obama reconhece o retrocesso que seria a aprovação de tal referendo, uma vez que o casamento já era legalizado na Califórnia.
De acordo com os Artigos I e II da declaração dos direitos humanos: “Todas as pessoas nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação umas às outras com espírito de fraternidade”; “Toda pessoa tem capacidade para gozar os direitos e as liberdades estabelecidos nesta Declaração, sem distinção de qualquer espécie, seja de raça, cor, sexo, língua, religião, opinião política ou de outra natureza, origem nacional ou social, riqueza, nascimento, ou qualquer outra condição.”
Mas esse episódio nos mostra quanto estamos longe de compreender o que são os direitos humanos e como respeitá-los e fazê-los cumprir. Desde sua proclamação, em 1948, temos visto idas e vindas. A declaração surge em um contexto onde todo o mundo se encontrava em choque pelas atrocidades do nazismo e da segunda guerra. Parecia que, a partir de então, o ser humano estaria mais consciente de suas ações e cauteloso com os preconceitos infundados e a discriminação. Mas infelizmente essa promessa não se cumpriu. Sessenta anos após sua publicação e contando com mais de 150 países signatários, assistimos a liberdade individual de pessoas em todo o mundo ser cerceada por julgamentos moralistas e leis retrógradas.
O ideal do regime totalitário era, e ainda é em algumas regiões do mundo, controlar os indivíduos através do autoritarismo e do medo, com leis severas e um moralismo rígido, que determinava quem merecia ou não fazer parte da vida social e política do país. Penso que se o modo como temos agido nos dias atuais em relação à diversidade sexual não está reproduzindo a mesma lógica excludente de tais sistemas. Dizemos-nos muito “liberais” e “a frente do tempo”, mas votamos em leis que proíbem as pessoas de tomarem decisão sobre como e com quem irão compartilhar sua vida, estabelecemos limites que castram o direito e a liberdade dos cidadãos e cidadãs.
Comparar nossas ações a sistemas políticos autoritários pode ser chocante e causar repulsa, mas é importante que paremos para refletir sobre onde queremos chegar com essas atitudes, afinal é pra isso que servem as tristes memórias da humanidade, para sabermos os erros que não devemos repetir. Para ver as fotos e saber mais sobre a campanha acesse o site (somente em inglês).
Há 2 comentários para “E os direitos humanos, onde estão?”
Os direitos humanos devem estar em algum lugar laico, o problema real é onde esta este tal lugar laico que muito dizem que viver. Nossa sociedade pune tudo aquilo que vai contra, o que ela não percebe é que direitos humanos nada tem com crença nenhuma. Dizem que é anti natural, demoníaco para ateus, agnósticos, “cristãos” e outros.
Desculpa meu comentario não tem nada haver com o que você
Estar falando. Mas o que tem haver nesse mundo, com tantas
Coisas que entram e saem de moda tão rápido, espero que os
Direitos humanos não sejam uma moda passageira ou uma moda
Para se desfrutar erradamente. Direitos são coisas adquiridas e
Uma pessoa que adquirio um direito humano, não é capaz de
Bater em ninguém, execeto para se defender ou defender alguém
Que se ama, se todos tivessem esse direito, o direito humano no mais
Profundo dos significados, direito de ser humano e naturalmente
Ligado a natureza.