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O Instituto C&A abraça a causa da educação

21 de junho de 2011 por Interview

Categoria(s): Destaques, Entrevistas, Sentido da Vida

Há 20 anos a C&A criou o Instituto C&A, projeto que visa melhorar a educação das crianças e adolescentes das comunidades pobres do Brasil. Para saber mais sobre esse projeto super bacana, a Equipe Übersite conversou com o Paulo Castro, presidente do Instituto C&A.

Equipe Übersite: Segundo o Relatório de Monitoramento de Educação para Todos de 2010, da Unesco, a qualidade da educação no Brasil é baixa, principalmente no ensino básico, com índices de repetência e abandono da escola entre os mais elevados da América Latina. Por que o Instituto optou em trabalhar pela educação de crianças e adolescentes e quais são os principais obstáculos para alcançar melhorias na educação pública brasileira?

Paulo Castro: Na C&A temos a crença de que a educação tem que começar desde os primeiros anos de vida. Não dá pra imaginar que muitas crianças não tenham acesso à educação no Brasil e que o ingresso no ensino fundamental seja tardio, ou seja, quando elas já têm 12 e 13 anos. Mudar essa situação é o nosso grande desafio e os aspectos centrais para alcançar melhorias estão vinculados à relação aluno/escola. O Instituto tem dado foco na importância de ter uma escola pública de qualidade para essas crianças terem interesse pelo aprendizado. E isso envolve desenvolver um diálogo não somente entre alunos e professores, mas também integrando pais e comunidade.

EÜ: O Instituto atua nas comunidades que a C&A está inserida, ou seja, em 84 cidades brasileiras. Analisando o perfil da educação em cada região, onde estão as maiores dificuldades e, consequentemente, os maiores desafios do Instituto?

PC: O Brasil tem 5.565 cidades e a C&A está inserida, principalmente, nas regiões metropolitanas. Nas 84 localidades em que a marca se encontra, é feito um estudo de cenário para termos conhecimento das principais carências na educação dessas áreas. Os principais desafios estão em grandes regiões, como no Nordeste, nas cidades de Caruaru (PE), Jaboatão dos Guararapes (PE), Campina Grande (PB) e Feira de Santana (BA). Também temos um grande desafio nas periferias de grandes metrópoles, como São Paulo (SP), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG) e Porto Alegre (RS). Nessas cidades existem numerosas escolas públicas, mas a realidade escolar é precária.

EÜ: A missão do Instituto C&A, que vai completar 20 anos de atuação, é promover a educação de crianças e adolescentes apoiando programas e projetos de terceiros. Como é feita a seleção desses projetos a serem apoiados (qualquer programa brasileiro pode solicitar parceria)?
PC: O processo começa com publicação de Editais Públicos, que são entregues para as Secretarias Municipais de Educação, responsáveis por receber os projetos.  Após, através de um estudo de cenário, onde são destacados indicadores e principais dificuldades, selecionamos os projetos mais precisam de apoio.


EÜ: Quais foram os resultados alcançados ao longo dessa trajetória de atuação e quais são as metas a serem alcançadas?

PC: Ao longo dos anos, temos contribuído para que crianças e adolescentes tenham direito à educação de qualidade. Com duas décadas de atuação, já investimos US$ 72 milhões em 1,5 mil projetos sociais em todo o Brasil, envolvendo aproximadamente 1 milhão de pessoas, especialmente crianças, adolescentes e educadores. Todas as contribuições estão em linha com a nossa missão de promover a educação de crianças e adolescentes das comunidades onde a C&A atua, por meio de alianças e do fortalecimento de organizações sociais. Para isso, contamos com cinco programas: Prazer em Ler, Educação Integral, Educação Infantil, Redes e Alianças, Desenvolvimento Institucional e Voluntariado. Sabemos que ainda temos muito trabalho pela frente e nossa meta é focar em três projetos: Implantação de bibliotecas comunitárias; Apoio a Fóruns e Seminários e Apoio às prefeituras em eventos de promoção à leitura em escolas. Todos buscando promover a leitura como atividade fundamental para formação cultural e educacional das crianças e jovens. Esse público precisa se interessar cada vez mais pelo hábito da leitura.

EÜ: Percebemos que existe uma preocupação em envolver os funcionários da C&A em um programa de voluntariado. A adesão é satisfatória? No que consiste esse trabalho voluntário? Somente funcionários podem se candidatar ou é aberto à comunidade interessada?

PC: O Instituto C&A existe desde 1991 e, desde a primeira ação social, os funcionários se interessaram em participar. Hoje, temos 20% do nosso quadro profissional engajado no projeto, o que consideramos um grande número. Os voluntários trabalham em creches – apoiando a leitura entre crianças de 0 a 6 anos, promovendo brincadeiras populares, desenvolvendo trabalhos com arte e histórias. Os projetos do Instituto C&A ainda não são abertos ao público, ou seja, só os funcionários podem participar. Mas sempre que há interesse da comunidade em abraçar a causa, remanejamos os interessados para um dos projetos sociais que apoiamos.

EÜ: É assustador saber que apenas 25% da população brasileira entre 15 e 64 anos têm domínio pleno da leitura e da escrita e que cerca de 7% dos brasileiros na mesma faixa etária são analfabetos absolutos (INAF 2009). O Programa Prazer em Ler, desenvolvido pelo Instituto há quatro anos, já conseguiu mudar um pouco esse cenário? Como é feito esse trabalho voltado à leitura?
PC: O objetivo do programa Prazer em Ler é fazer com que as crianças e os adolescentes criem gosto pela leitura, potencializando e integrando o tripé acervo, mediação e espaço de leitura. Para tanto, investimos nos projetos de leituras em bibliotecas comunitárias, escolas e ONGs. A disseminação à sociedade da importância da leitura também é um aspecto importante que trabalhamos, promovendo ações e campanhas. O desafio é promover a leitura em um país de tão poucos leitores como o Brasil.

EÜ: O que o Instituto C&A espera do futuro da educação pública brasileira e o que o motiva a continuar?

PC: A C&A tem como desafio assegurar que toda criança tenha direito a um ensino de qualidade, ou seja, todas elas têm direito a uma escola equitativa, plural e acolhedora. Sabemos que temos muito a fazer, juntamente com os nossos parceiros e voluntários, mas esperamos que a soma de nossas forças consiga mudar a realidade que temos no momento.


Crédito Imagem: Américo Amarante Neto

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Há 3 comentários para “O Instituto C&A abraça a causa da educação”

  1. é este Web site availible em inglês?

  2. YOGA Krishna disse:

    Gostaria de ter
    Gisele como presente.

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